Quando crianças surge a idade dos porquês, tudo é um porque isto, porquê aquilo... porquês estes quase sempre de respostas simples ou quando muito de difícil explicação para, nós adultos, podermos responder a uma criança de forma que ela entenda...
Hoje porem, já adulta, os porquês mantêm-se a toda a hora na minha cabeça, apenas mudando o tipo de pergunta, enquanto criança perguntava sobre algo que desconhecia, ou via, hoje as minhas questões são existenciais e terão que ter, sempre, uma resposta minha...
Quem sou..?
Gostava de saber quem realmente sou, para onde vou... Perguntas comuns, eu sei, mas com uma grande dimensão para mim.
Estudo, analiso, pesquiso, procuro dentro de mim e quanto mais respostas encontro mais perguntas tenho e mais confusa fico.
Sinto que não sou só uma, mas várias... Serei eu, acaso, um caso de
multi-personalidade? Sei que sou eu, mas um eu multiplicado que é e age
segundo o momento, o lugar, a pessoa ou pessoas que o rodeiam, desempenhando uma personagem diferente numa peça real que é a vida, raramente me permitindo ser eu mesma... genuína, autentica...
Consigo ser o mais dispare possível: num minuto a ingênua, tolinha, que
engole tudo o que lhe dizem como se de grandes verdades se tratasse e até colaborante numa mentira que me impõem como verdade até
à alma sábia que ouve com compaixão o que lhe dizem e debita palavras
de conforto e conselheiras que muitas vezes nem sei de onde saem... na realidade prefiro este papel de ouvinte é mais cómodo...
Quem sou eu? Mal ou bem, neutra? Disparate querer saber? Sei que sou
centelha de luz, pequeno pedaço de algo que anseia regressar a casa...
Mas regressar para onde ?
Será possível que não possa conhecer as respostas, mas possa continuar a procurar? Ou será que pura e simplesmente não quero ouvir as respostas gritadas pelo meu cérebro?
Tenho medos e receios, alguns dos quais me perturbam ao ponto de não
querer continuar, vazios por preencher, frustrações acumuladas. Não quero
que o meu orgulho interfira... Gostaria,
apenas, de poder saber em que lugar estou, fazer o que é preciso,
cumprir a minha missão.
Aqui estou, humilde e resignada, continuando o que já tantas vezes
comecei e abandonei outras tantas vezes por causa dos medos e receios.
Sou solitáriamente feliz, no entanto aconchego-me em mim, em posição fetal, e nua de mim deixo as lágrimas correr libertando toda a minha insegurança e medo,
na esperança que as lágrimas me lavem a alma...